«Uma forma de o medíocre convencido imitar a grandeza é não dizer mal de ninguém.»

Vergílio Ferreira (1919 - 1996)


Pinceladas

Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura. Mostrar todas as mensagens

17 de fevereiro de 2010

Pintura de Klimt & Soneto de J. P. Rato e Cunha


Hope I, Gustav Klimt (1862-1918)

(clicar na imagem para aumentar)

---
«Soneto à Ângela

Bela, pele morena e robusto peito,
deixas todo o homem de pau feito.
Aquele teu quente túnel mui visitado
é hoje percurso doce e alargado.

Tu, ó Ângela, que tanto andaste,
foi neste badalo que te montaste.
Foste a Marte e com ele levaste,
passaste por Vénus e n'ele fecundaste.

Mil voltas deram desde os colhões
(cada bicho do bando de campeões)
mas nada valeu teres esfregado sabões!

Se fosse outra a queca martelada
e almejasses ter sido bem enrabada:
não serias agora bovina emprenhada.»

---
José Pombo Rato e Cunha (1948-)

10 de fevereiro de 2010

Pintura de Kush & Soneto de Anselmo


Horn of Babel, Vladimir Kush (1965 - )

(clicar na imagem para aumentar)

---

«Soneto de todos os cornos

Não lamentes, Alcino, o teu estado,
Corno tem sido muita gente boa;
Corníssimos fidalgos tem Lisboa,
Milhões de vezes cornos têm reinado.

Siqueu foi corno, e corno de um soldado:
Marco Antonio por corno perdeu a c'roa;
Anfitrião com toda a sua proa
Na Fábula não passa por honrado;

Um rei Fernando foi cabrão famoso
(Segundo a antiga letra da gazeta)
E entre mil cornos expirou vaidoso;

Tudo no mundo é sujeito à greta:
Não fiques mais, Alcino, duvidoso
Que isto de ser corno é tudo peta.»

---
José Anselmo Correa Henriques (1777-1831)